PARR

Echevarne Veterinária oferece a técnica PARR para melhorar o diagnóstico de câncer em na espécie canina e felina

O que é?

PARR (“PCR Antigen Receptor Rearrengement”) é uma técnica destinada à detecção da clonalidade e é de grande utilidade para a distinção entre um linfomas e um processo inflamatório. Os linfomas são, por definição, expansões clonais derivadas de uma única linha celular, enquanto que os processos inflamatórios, são policlonais.

Em que situações está indicada?

Fundamentalmente nos casos em que a morfología e a imunofenotipagem, não são conclusivas. Indicamos algumas situações que poderão ter indicação para a solicitação da técnica de PARR:

  • Algumas formas de linfoma de baixo grau, denominados linfomas indolentes (casos de linfomas foliculares, linfomas de células do manto).
  • Identificação de linfomas intestinais, neoplasias que com frequencia, imitan processos inflamatórios crónicos. Útil também na distinção entre linfomas tímicos e timomas.
  • Identificação de Linfocitose cutânea, provavelmente uma forma de linfoma indolente de célula T, de aspecto histológico benigno.
  • Distinção entre leucemóide leucemia e reações.

Que tipo de amostras se devem enviar?

A técnica permite o uso de tecidos frescos, tecidos fixados em formol, amostras em parafina (biópsias), sangue, medula óssea e material citológico.

Que sensibilidade e especificidade tem a técnica?

CaninaA sensibilidade da técnica em amostras caninas é de 90% e a sua especificidade de 92%*.

FelinaA sensibilidade da técnica em amostras felinas é de 89% e a sua especificidade de 96%*.

*Ambos factores dependem em boa parte, do tipo de amostras utilizadas (tecido fixado ou parafinado, tecido fresco), dos primers utilizados, do protocolo de PCR e da resolução da técnica de separação do produto da PCR.

Qual o fundamento da técnica?

Os linfomas são tumores hematológicos que resultam da expansão clonal dos linfócitos. A detecção da clonalidade baseia-se no facto dos linfocitos conterem regiões de DNA, que são únicas em longitude e sequência.

Estas regiões únicas, estão maioritariamente localizadas nos genes que codificam para a região CDR3 (Complementary Determining Region 3) tanto nas imunoglobulinas como no receptor de células T. CDR3 é a região que tem a capacidade para a união ao Antígeno.

Nas células B, o CDR3 é produzido pela recombinação dos genes V;D e J, enquanto que nas células T , a recombinação é produzida entre os genes V e J. Durante o processo de recombinação, são acrescentados entre 5 a 20 nucleótidos ao acaso, dando lugar à diversidade de sequências e longitude das mesmas. Após a obtenção do material genético da amostra, procede-se à amplificação por PCR mediante primers específicos da região VDJ (para as imunoglobulinas) e VJ (para o TCR).

A detecção dos produtos amplificados, realiza-se mediante a análise de fragmentos, utilizando um sequenciador automático. No caso de uma policlonalidade, obtem-se uma mistura heterogénia de cadeias de diferente longitude, enquanto que no caso de uma monoclonalidade, se obtém apenas um pico, correspondente a um único tipo de cadeia.

A configuração do loci genético para as imunoglobulinas contém 80 genes V, 6 genes D e entre 3 e 5 genes J.

Durante o desenvolvimento das células T e B, por mecanismos de excisão, junta-se uma região V e uma D. Neste proceso, podem acrescentar-se ou eliminar-se nucleótidos, num número que varia de uma célula para a outra, pelo que cada célula é distinta das restantes.

O mesmo proceso, repete-se com os genes D e J. Como resultado, temos contiguidade entre os genes V, D e J e uma longitude de cadeia distinta para cada célula devido à variabilidade na adição ou eliminação de nucleótidos. Quando a célula se divide,a sua descendência herda a mesma configuração VDJ que a sua progenitora. Para executar a técnica, isola-se o material genético da amostra. Com a utilização de primers , a região VDJ é amplificada:

  • No caso de clonalidade, obtêm-se sempre cadeias gémeas:

  • No caso de policlonalidade, obtêm-se uma mistura heterogénia de cadeias de distinta longitude:

A leitura das diferentes longitudes, traduzem-se num gráfico:

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